Lei de Direitos Autorais (Direitos de Autor e Direitos Conexos)

Essas obras literárias são protegidas pela lei número 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%209.610-1998?OpenDocument

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Oxum

Oxum
Heleno de Paula



Pouso meu pensamento na serenidade dos teus olhos,
Que por ora conduzem-me em segurança, sem hesitar, por entre as brumas da insensatez.
Incólume, adormeço em teus braços.
Teus doces afagos dissipam resquícios dos desvarios.
Descanso profundo, como se a minha alma voltasse ao teu ventre.
Uma viagem sem medo, sem anseios do porvir. Apenas regresso.
O tempo acalanta o meu sono, de volta a morada que concebeu a vida, rezo.
Reencontro a mesma luz que irradia tua fronte, o elo que nos funde em um só sentimento.
Curo o meu peito ao banhar-me em tuas águas.
Renasço do sulco da pedreira que te concerne.
Vivo e faço reverência a tua amabilidade.
Ora yê yê ô mamãe Oxum!

Ora yê yê ô!

terça-feira, 5 de julho de 2016

Último brinde

Último brinde 
Heleno de Paula




Taciturno tempo
Entre um gole e outro, 
Lágrimas e espaços versos
Declaro a efêmera companhia seu fenecimento
Lúgubre garganta minha,
Onde jaz mais um amigo de incontestável bom gosto.
Rotulado por muitos, pouco me importa...
Mais valeu a tua liquidez que fluiu noites afora enternecendo meu coração, que a razão fria que cada alvorecer me incita e a sobriedade denota.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Voo

Voo
Heleno de Paula




Divago em mau tempo
Sem grandes anseios, percebo a realidade que me acerca
Recito ao vento meus poemas, ouço almas...
Pássaros gorjeiam
O tempo voa, entes voam, anjos voam...
E a saudade me apega
Eu, já moço crescido
Esmorecido, por alguns traído...
Assim hei vivido.
Ah, mas Deus me apascenta!
Bem...
Tempo, divagas junto comigo!
Dá-me tuas mãos, deixe-me apertá-las,
Talvez assim os destinos se enlacem...
E eu hei de poder voar junto contigo,

Que essa vida é só passagem!

Cotidianamente, algumas pessoas deveriam interpretar as palavras de Alexandre Dumas em Os três Mosqueteiros: "- Um por todos, e todos por um!". Soaria mais cristão do que: "- Isso é a verdade, assim está escrito!". Não haveria blasfêmia. As bocas falam o que lhes convêm, daí a falta de mérito por não mostrar as impurezas do coração. 


Heleno de Paula

                                      
Revisitem o passado, mas não se prendam a ele. Lembranças não fazem bem, quando os tornam exilados do presente. 

Heleno de Paula


Que Mauá?

Que Mauá?
Heleno de Paula




Por vezes a intuição não me favorece.
Ponho-me a pensar que eu esteja envelhecendo.
Ando meio cansado, esquecendo das coisas, dos significados e sinônimos de certas palavras, que por ora não me lembro, mas sei que este fato ocorreu nos últimos dias.
Daí, apresso-me a recolher minha memória, aguçar as lembranças...
Faço meus neurônios chacoalharem feito os jamelões que eu catava do pé de um vizinho em Mauá.
Saciavam-me a fome de menino.
Adoçavam-me a boca e a vida.
Manchavam-me as pontas dos dedos e a língua.
Até hoje, descortinando o pensamento, é possível enxergar o colorido passado.
Talvez eu esteja sendo um pouco rabugento comigo mesmo.
Talvez valham-me mais os frutos das recordações que acompanharam-se de cores, sabores e cheiros, do que a ideia de que palavras possam vir a mostrar um intelecto que não faz parte do real cotidiano que preenche meus anos de existência, cá sobre esse mundão de Deus.


Notas de um futuro que ainda não vi

Notas de um futuro que ainda não vi
Heleno de Paula


Tudo que conquistei, me foi concedido por mérito.
Ao longo dos anos mais ganhei do que perdi, confesso que tive vantagem, pois fiz do fim de cada dia uma medalha, justa premiação por concluir uma jornada de árduo trabalho e convivência com os meus semelhantes (cada qual com suas particularidades), é verdade! Mas a totalidade da vivência, sempre foi positiva, graças a fé que me tomou pelas mãos e me guiou por esse mundo afora. 
Conheci o que era virtude através dos olhos-espelhos dos que sorriam ao me ver. 
Reinventei meu jeito de ser por diversas vezes, sem jamais ser volátil.
Vi amarguras, vivi desventuras, sonhei ilusões... 
Seria inimaginável ter convivido alheio aos anseios dos próximos. Ah! Como Deus foi complacente comigo, eu que tive um passado imaturo, prostrei diante desse futuro, como se carregasse a rotina feito uma lápide que adornaria minha própria cova, estou aqui. Estou no lucro, pronto para mais uma poesia que meu destino devaneia.


Azul

Azul
Heleno de Paula




Aprumado meu corpo na tua rede
Minha vivacidade se embala, descansa.
Os olhos extinguem o entorno verde
Fustigados pelo vento, que consigo traz lembranças
Azul imensidão,
Pai no pensamento.
Infinito azul, azul vazio, desatino!
Em vão, busco o contínuo alento
A dor é revoada em delta que cinge o céu
Volta e meia, revisita minha morada
E o pior, não tão previsível quanto o tempo de emigrada

Vou no rumo que Deus traçou
Que tua alma me acompanhe, nos voos de saudade, que a tua passagem me deixou.

domingo, 29 de maio de 2016

Deixo a ti

Deixo a ti
Heleno de Paula




Tuas lágrimas me inspiram,
Como um canto em triste tom.
Cada alma tem seu dom
Deixo a ti minha gratidão ante teu coração
Vi teu manto cobrir meu chão
Ouvi meu nome em tua oração
Mas há dias em que o frio vem me visitar
O medo faz morada em meu olhar
Solidão no Crepúsculo
Vermelho luar
E a eternidade a me chamar...
E eu, e eu, e eu, e eu...
Ah, vida!
Posto a me entregar
É justo assim findar?
Vazio o peito, chama prestes a se apagar
E eu, e eu, e eu, e eu...
Destino?
Os olhos por fechar
E eu, e eu, e eu, e eu...
Isso é tudo?
É o ciclo?
É renovar?
Ah, vermelho luar!
Os anjos já me anunciam
O corpo renuncia
A Alma aprazia
E Deus, e Deus, e Deus, e Deus...
É Deus?
E eu, e eu, e eu, e eu...
Só me resta te deixar...
Adeus, adeus, adeus, adeus...
Adeus.


sexta-feira, 11 de março de 2016

Ao menos uma vez

Ao menos uma vez
Heleno de Paula




Quem me dera saltar dentre estas páginas, sob o teu olhar de amor furtivo,
Entrelinhas, ser o anseio que tua libido implora.
Despudorava-te o pensamento
Tornava-te um ser mais instintivo
Avassalaria tuas ideias, como a verve volúvel de um poeta qual a paixão devora.

Quem me dera desmistificar-te sem receios
Palavras que sussurram, tuas mãos tateiam
Ser as carícias confidentes entre versos e outros meios madrugada afora.

Ah, quem me dera te sentir, assim como me sentes!
Ler-te e reler-te incansavelmente
Desnudar-te em poesia

Quem me dera tracejar teu corpo
Preencher-te de vida reticente
Ao menos uma vez o destino poderia findar-me.
Quem me dera!
Quem me dera...
Assim de ti me vingaria.


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Fato

Fato
Heleno de Paula





Ao que indaga sobre meus anseios e amores,
Sem rumores e pudores eu lhe falo
Tudo me importa, em tudo há vida...
Sons, tatos, cheiros, lembranças e sabores
Até mesmo uma folha branca pra mim significa,
É o pensar, é o novo, é o início do meu trabalho.
A tua curiosidade sobre mim, me dignifica.
Contemplo até mesmo limpar a bunda com papel sanitário.
Esta última referência, não pense ser chula ou a estes versos descabida.
É para lembrar-te que não há fama, dinheiro ou afins banais
Nada suplanta a vivência intrínseca
Perecemos sob solo fétido,
Fato.

Somos todos iguais.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

No way

No way - Minha viagem nas águas de Leminski
Heleno de Paula




Noé,
Não é nóia não, no way!
É papo reto meu rei.
Rasgado o bote inflável,
Clamam ao infalível, os ditos puros.
No mar de gente, um impávido?
Não salva os sonhos em apuros.

Na crista da onda, insanos,
Articulando seus planos
Bote infalível da serpente
Envenenando...
Causando toda moléstia.
Carregando...
Nossa cruz o Cristo sente.

Estamos à deriva!
A história é repetitiva.
É traição expressiva.
Já não é só Eva e Adão,
Pecamos em multidão.
Maçã em massa,
Boom!
É atração explosiva.

Pensaram que haveria saída?
Dessa vez não, no way out!
Game over
Finish
Goodbye my friend

Não haverá mais partida.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Ao Pai

Ao Pai
Heleno de Paula




Submeti meus sentimentos ao clausuro,
Herdei palavras, inspiração.
Pensei num tempo longínquo, venturo.
Sob um olhar auspício, a proteção.

Ah, novos ares de esperança!
Que não me falte fé a cada aurora
Indulgente seja essa andança!
Apascentado o sono, o porvir se revigora.

Erguerei do silêncio, do peito mudo.
Não haverá vazio, nem solidão.
Saudade é vento que sopra o mundo,
Nasce dos que habitam na redenção.

Ó, almas benevolentes!
Livrai-me do mal que a cada passo se salienta.
Roguei a Deus Onipresente!
Resguardai-me ó Pai desta recôndita contenda.  




terça-feira, 19 de maio de 2015

Cotidiano passional

Cotidiano passional
Heleno de Paula




Entre nossos corpos,
Fincamos uma estaca intitulada distância
Entre nossas bocas,
Um solo escarrado com palavras de intolerância

Entre o certo e o errado, entre o bem e o mal...
A razão a quem convém,
O entendimento muito aquém,
Cotidiano passional

Ah, quanto tempo!
Ah, quanta ânsia!
Sentimento febril,
Vida sem pujança

Desvarios. Nunca nós. Só vazio, sem ressalvas.
Quiçá se salvem nossas almas!


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Coração de Maria



Coração de Maria

Heleno de Paula




Enxuga as tuas lágrimas, o sofrimento não necessita ser velado.
Abranda os teus pensamentos com o sorriso da alma de uma criança, pois as flores em vida só precisam de água, luz e amor.
Entenda que no jardim que hoje habito, a água é o fluido que energiza nossa forma natural e perene. A luz é a prece que se tornou minha companheira assídua.
Através da oração nos pomos em vigília constante, pois os assombros não descansam.
Em teus sonhos, às vezes, me faço presente. Não te assuste, a saudade também nos é vivenciada.
Repare que em cada ato de amor que realizares, estará mais feliz e eu mais perto de ti. Quando há dúvida e as atitudes são negligenciadas, os maus pensamentos te cercam e afligem o teu peito.
Reconhecerá os meus sinais, que serão incansáveis em teu auxílio.
Não recue diante dos percalços. Se cair, eu e meus irmãos em Deus te reergueremos.
Mais vale os pés feridos por uma longa jornada, do que a alma arrebatada por um curto voo.
“Olhai, orai e vigiai, porque não sabeis quando chegará o tempo”.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Señales

Señales
Heleno de Paula



No conozco tus deseos
Querría en ellos hacer morada
En tus ojos yo buceo
Y alrededor no veo nada

Poco a poco el sentimiento
Toma el cuerpo y el alma
Corazón flechado siendo
El frío coge en mi espalda

Señal de amor              
En tus brazos descanso, la paz llegó 
Señal de gracias                
Semillas de bien fue lo que plantó
           
La suerte hoy...              
Me besa y abraza.          

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Morro poesia

Morro poesia
Heleno de Paula




Você subiu a ladeira.
Chegou ao céu,
E eu não pude ir.
Confesso, critiquei a maneira.
Não fiz papel,
Fui só o sentir.
Não sei se Deus sorriu quando eu chorei
Feliz por ver você, como eu nunca vi.
Pedi pra Ele te receber, até rezei...
Por fim, não achando justo,
Roguei.
Menti.
Queria tanto que estivesse aqui!
Não blasfemei.
Não juro que não.
Se eu pensei...
Fui só coração.
Se eu errei,
Dê-me a paz e o perdão.
O tempo passou, semeou meu jardim...
A distância plantou...
Flor saudade sem fim.
Nasceram vitórias,
E eu voltei a sorrir.
E essa alegria, te traz junto a mim.
Sem eu perceber, mais uma vez a lágrima cai.
Mancha o corpo-fantasia que a alma escolheu,
Com a permissão do Pai, ser tua eterna companhia.
Ainda não posso me jogar em teus braços...
Mas não deixei de sentir o calor dos teus abraços...
Em cada sonho meu...
Há cada sonho!
A cada sonho meu...
Alimento meu planos.
Quando eu encontrar com Deus,
Sei que vou reivindicar tudo o quanto de ti perdi.
Talvez Ele possa explicar,
Talvez quando Ele sorrir...
Ainda hei de ouvir,
Uma brisa leve declamar...
A poesia de quem vai chorar por mim.



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Por onde for

Por onde for
Heleno de Paula




Deixa a inspiração me alimentar
Deixa-me dizer que o céu é um manto azul
Deixa-me falar que o sol é uma flor
Deixa-me fazer uns versos sob o luar
Deixa-me voar parado onde estou
Deixa-me pensar que o mar não tem um fim
Deixa-me mesclar cada cor a um olor
Deixa-me fantasiar que a vida é um jardim
Deixa-me embriagar o sangue com o vinho amor
Deixa-me sentir a brisa me beijar
Deixa-me acreditar que o sorriso vem do coração
Deixa-me sonhar que as estrelas hão de me visitar
Deixa-me espaços, não a solidão.
Deixa a poesia de minha alma exsudar
Deixa a fé vir me banhar
Deixa a lágrima, correr, rolar...
Deixa-me criar verbos, Ranoykar...
Deixa-me amar, amar, amar...
Deixa o destino seguir por onde for.
Dá-me a tua mão, me acompanha, por favor!


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Imoderado


                                                                   Imagem Google

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Falsa Mariposa

Falsa Mariposa
Heleno de Paula



 Abrí las ventanas del destino y volaste hacia el cielo,
 Te llevaste lo mejor contigo…
 Falsa mariposa, hiciste todo volverse un infierno
 Te entregué todo mi amor y casi morí.
 Faltó poco, pues me arrolló y triste me sentí.
 Sin ti,
 Soy un cuerpo helado como la niebla nocturna,
 Pensamiento en el aire como humo desesperado,
 Pecho sangrado sin pasión ninguna.
 ¿Por qué me dejaste sin respuesta?
 ¿Por qué maltrataste mi decencia?
 ¿Por qué no hay sonrisas nuevamente?
 ¿Por qué ni celos, sólo carencia?
 Dime mujer de mirada lejana,
 ¿Qué pasa contigo ahora?
 Cada tacto sin sentimiento,
 Me dejó tan vacío que aún mi alma llora.
 Sufro tanto y nada me consuela,
 Pasó el tiempo, nadie llegó
 Nada ocurrió desde que fuiste fuera.
 Falsa mariposa te maldigo:
 -¡Qué te quedes triste, sola y seca muera!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Sem regras

Sem regras
Heleno de Paula




E quando a gente se esbarra num canto ou num outro
E no olhar expomos necessidade,
De saciar os desejos, jogar nosso jogo.
Com sorte hoje sem regras amar até tarde.
E quando diz que o proibido é gostoso,
Mordendo os lábios pra mostrar intimidade
Dá goleada driblando quem é bobo
Na minha área não, só quer sacanagem.
Cama redonda, sem debate, olha o lance!
Sem holofotes, só penumbra e massagem.
Preliminar agita o corpo e o momento
É toque a toque, sem a fiel arbitragem.
O apito entope, mas começa partida,
É rala e rola, narra tudo ainda grita.
Entro com bola na atitude e coragem!
Abriu as pernas, não se deu por vencida.
Quer a revanche? Só marcar à vontade!
Gozei na cara, mas levou na esportiva,
Pedi a música, te rendendo homenagem,
E foi fantástico o refrão que ironiza:

Essa paixão foi sem querer... Dancei!
Tempos depois se vai doer? Não sei!
Nessa ilusão quem vai perder? De vez?
Só a razão. Eu e você? Talvez!

É show de bola cada encontro é um clássico
Rivalidade só com a falta de tempo
Fora de campo, um Mané, o fanático.
Que botou banca, mas perdeu teu talento.
Casa, comida, roupa limpa e passagem.
A cada treino, seja muito bem-vinda.
Tira a camisa, pro chuveiro mais cedo,
Vou te mostrar a marcação atrevida
Chegou à frente, vai cair de joelhos,
Não fala nada, vai ficar impedida.
Se desde cedo já seguisse os conselhos
Agora aos vinte já seria “profissa”,
Não se preocupe com os falsos olheiros
Sou empresário desse estilo de vida.
Já sei que é craque, vai seguir em viagem,
Vai conquistando um a um a torcida...
Uma canção quebra esse papo maneiro,
Parece ser aquela letra que avisa,
Segue teu rumo, vai buscar o estrangeiro.
E essa deixa aproveitei pra saída...
 
Essa paixão foi sem querer... Dancei!
Tempos depois, se vai doer? Não sei!
Nessa ilusão, quem vai perder? De vez?
Só a razão. Eu e você? Talvez!


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Apogeu

Apogeu
Heleno de Paula



E quando a alma emudeceu,
Pasmada por desmedida desventura.
Num tempo tênue, o amor de Deus,
Ensinou que na vida o perdão traz a candura.

Liberta da sofreguidão,
Apascentou-se na sagrada palavra.
Sem dor, sem caos e sem solidão,
Bendisse aos céus, que expôs suas largas asas.

Descobriu-se angelical, guardiã de todos os sentidos.
Âmago, a consciência é o lenitivo.
Pôs-se a rezar, agradecendo a sua cura.
Ergueu-se, pairou no ar e observou uma sepultura.

Jazia o corpo que lhe acolheu.
Salva pela fé. Redenção. Apogeu.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Poeta pillo

Poeta pillo
Heleno de Paula


¡Camarero, dame un trago!
Confieso que estoy en duelo con el destino
Hace tiempo que la vida me golpea
Me refriega constante, poco a poco me entierra vivo
Hecho clavo, el celo en mi pecho aguijonea
Dicen que soy un poeta pillo, pues si sufro: ¡Digo que existo!
El amor sólo es bueno cuando forcejea
En cada verso una lágrima de dolor
Vacío el alma, hago lo mismo con una botella.
¡Camarero, dame un trago!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Lume pérola

Lume pérola
Heleno de Paula



Minha alma clamou:
Cede teu colo meu mar sereno!
Anuviou...
Manto do céu cobriu-nos de amor,
Protegendo-nos do frio que a solidão carrega.
Estrelas cintilaram o infinito, bendiziam a nós, os aflitos.
Mirei-as como anjos, astutas sentinelas.
Estrelas sorriram sob nós, pois sobre nós...
Entre conchas, pedras e areia,
A pureza da nossa entrega.
Foram os meus mais belos sonhos, lume pérola.
Contemplei a paz do horizonte, por onde a tua imensidão,
Até hoje me navega.




sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Passatempo

Passatempo  
Heleno de Paula





Fotos, fatos, fardos...
Abri o baú do passado,
Revisitei os caminhos por mim germinados,
Busquei respostas para o que não colhi.
Percebi que as lembranças já não são tão vastas,
Passatempo em mãos...
Nossa!
Como o tempo passa!
Pele manchada, enrugada,...
Pior, alma lastimada!
O jogo da vida é outro,
A realidade às vezes dói.
As segundas, terceiras e outras chances mais, demoram.
É bem verdade que por mais que estejamos perdendo ou ganhando,
Preocupamo-nos mais com o findar da partida.
Ah, a partida!
As regras nunca foram bem claras,
Ninguém quis ou ainda quer aprender a perder.
Podemos sim, retroceder, mas entregar os pontos jamais!
Frase tão previsível, tão previsível quanto a minha vida.
Mas entendi que revirar a memória não é martirizar-se,
Não é girar uma roleta, jogar os dados, se lançar a toda sorte.
É preencher o ócio do pensamento.
Diga-se de passagem, é o pouco que me resta,
É o mais intrínseco momento a momento.
O silêncio que nos habita, nos torna cúmplice do destino.
Esmorecemos quando o acaso deixa de nos surpreender.
Nossa!
Como o tempo passa!
Pobre de mim, passatempo que fui de você.
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