A ponte
Heleno de PaulaDiante das incertezas que brumam os caminhos
Olhares turvos se curvam ao vazio,
e os passos, outrora firmes,
cessam em silêncio, pesado e tardio
Os destinos que não se revelam,
os rumos que a mente não crê,
corações ancorados em receio,
hesitam em seguir ou ceder
Ali, entre o medo e o avanço,
ergue-se algo firme logo à frente,
mas as dúvidas, véus espessos,
distorcem o que é evidente
Uma ponte estabelecida sobre o caos,
acima das águas que rugem sem calma,
promessa de travessia e mudança,
convite sutil à própria alma
Pensamentos nublados, estagnados,
não reconhecem sua intenção,
veem barreira onde há passagem,
veem risco onde há solução
E assim, permanecem inertes,
reféns do que não podem ver,
pois nem toda travessia é clara
quando o medo decide vencer
Mas a ponte continua erguida,
paciente, à espera de luz,
pois basta um instante de clareza
para enxergar que Deus é quem conduz.