Solidão
Heleno de Paula
Fecho os olhos
Regresso ao ventre
Ignoro o entorno
Silêncio perene
Vívido
Engodo
Solitário
Pungente
Desperto
Renasço
Sob a luz
Indulgente
Entre o corpo e a alma
O divino presente
Entre a cruz e a espada
O meu pó indigente
Solidão
Heleno de Paula
Fecho os olhos
Regresso ao ventre
Ignoro o entorno
Silêncio perene
Vívido
Engodo
Solitário
Pungente
Desperto
Renasço
Sob a luz
Indulgente
Entre o corpo e a alma
O divino presente
Entre a cruz e a espada
O meu pó indigente
Poesia da relatividade
Heleno de Paula
Não domamos o tempo
Preenchemos espaços
Relativos momentos
Cada qual num compasso
Se tem dor, sofrimento
Tudo em paz, nosso abraço
Ser, viver, sentimento
O estar, lado a lado
O destino a contento
Nos uniu feito laço
O amor advento
Absoluto abstrato
Esse meu pensamento
Fundamentei em teu lastro
Alma, luz, espaço-tempo...
Corpo eternizado.
Re(pouso)
Heleno de Paula
Assim como nossas mãos se enlaçam,
que descansem nossas almas lado a lado,
despojadas de todo passado.
Mas não te adormeças,
mira meus olhos e te vejas,
repare que não estás aprisionada,
pois não sou eu o passarinheiro.
Vim de encontro ao teu canto,
apenas para contemplar-te,
admirar tua vivacidade.
Não te esqueças,
alça teus voos, postos a salvo,
pois não serei eu a rapina sorrateira.
No silvar dos ventos, tu encontrarás a minha voz, mas não terão a intenção de desviar-te o caminho.
Ao buscar o horizonte, em meio a revoada de sonhos, ali eu estarei.
Não te aflijas, migrar é ensinamento.
Que no porvir, possa-me confiar o teu pouso, assim como nossas mãos se enlaçam, e descansam nossos corpos lado a lado.
Colorindo a vida
Heleno de Paula
A saudade está doendo
Mesmo assim eu vou seguindo
Deus do Céu, sei que está vendo
Atendei o meu pedido
O amor é feito reza
Um anjo sussurrou no meu ouvido:
A tristeza se atravessa
Tenha fé no seu destino
Todo pranto, em todo canto
Toda flor com seu espinho
Traiçoeiro rio manso
Tempestade, mar bravio
Tudo cura, o tempo passa
Sua luz no meu caminho
A certeza de um milagre
Sei que não estou sozinho
Passo a passo, lado a lado
De mãos dadas prosseguindo
Aliança, um forte laço
Sob a proteção do Divino
Alma abraça, em nosso amparo
Com a pureza, Deus menino
Meus filhos, Estou cuidando
Suas vidas colorindo.
Nossa morada
Heleno de Paula
Deixe a lágrima cair
Deixe o peito respirar
A tristeza pode vir
Mas não vai poder ficar
Pois quem manda é o coração
É nele só tem um lugar
Pra morar na emoção
Só o amor pode entrar
Assim você mudou
Agora vive em mim
E se eu vivo em você
Estamos juntos sim
Só resta agradecer
Ao Pai, som de clarins
A paz fortalecer, e caminhar...
De mãos dadas até o fim.
Tempo
Heleno de Paula
Tendo um tempo de tristeza
Dou-me um tempo a calmaria
Vento sopra, o tempo leva
Tempo, tempo, noite, dia...
Sou do fim o tempo avesso
Meu regresso o tempo guia
Templo, luz, tempo, apreço
Recomeço, tempo, vida...
Na saudade, tempo espesso
No amor, tem poesia
No mau tempo a gente reza
E o bom tempo principia
Na canção o tempo em verso
Tempo, tom, tem melodia
Se tem um tempo que eu prezo
Tempo é o de parceria
O destino, tempo expresso
Tempo traz sabedoria
Tempo infindo, a Deus peço!
Rege o tempo e me vigia!
Conversa com o espelho
Heleno de Paula
Sabe quantas vezes errei?
Sabe quantas eu percebi?
Sabe quantas vezes eu caí?
Sabe como eu levantei?
Sabe o que me faz seguir?
Sabe por onde andei?
Sabe quem esteve aqui?
Sabe quem eu deixei?
Sabe o quanto eu vivi?
Sabe o que eu não sei?
Sabe o que agradeci?
Sabe para quem rezei?
Sabe o tempo de partir?
Sabe o quanto eu já chorei?
Sabe o que realmente é o sentir?
Sabe quem eu amei?
Sabe que envelheci?
Sabe como até aqui cheguei?
Sabe só refletir?
Será que eu saberei?
Bastar-me
Heleno de Paula
Onde eu me basto, ainda não sei
Um dia descanso meus passos
Um dia...
Quem sabe?!?
Talvez!
E se não houver alguém lado a lado,
perdoe-me,
não diga que eu falhei
Pisar nas pedras em falso,
é sempre preciso,
são marcas, ao menos tentei
Caminhos distintos, não são despedidas,
não são desvarios...
Às vezes, por mais que as mãos estejam dadas,
é como se estivesse andando sozinho
Hoje, olhando o amanhã, sonhei
E vi, como foi importante seguir...
E assim me permitir, ser como eu sou
Essencial é buscar em si,
o própio amor.
Quando eu me basto?!?
Um dia...
Quem sabe?!?
Talvez!
Singular
Heleno de Paula
Salvo o verso,
mas por favor,
salve a tua palavra
O verso eu ressignifico
A tua palavra, ah, a tua palavra!
Ela cura, ela é singular
Ela carrega consigo a tua essência
Como quem traz na sonoridade uma magia
Reverbera na alma
O amor declamado por tua boca,
em tempo algum será incompreendido
O amor presente em versos,
apesar de pemear o mundo, tem o toque
estéril
Salve a tua palavra!
Boca santa!
Palavra dita!
Os versos, ah, os versos!
Jamais saberão o que dizem,
se no porvir não desnudarem o corpo sobre o teu
Por ora, sem a tua presença,
moro no silêncio,
ávido por tua palavra sussurrada,
regente das inspirações nos sonhos meus.
Não sei
Heleno de Paula
Se sou forte, eu não sei,
mas suportar tua ausência,
é chamado esperança
É viver das lembranças,
que nem o tempo pode apagar
É provar que o amor,
só resiste se houver confiança
É mudar de atitude,
se algo queira alcançar
Se sou forte, eu não sei,
mas vou seguindo daqui entre flores e espinhos
E bem mais, no destino e seus diferentes caminhos,
vou regando a saudade com todo pranto que eu já chorei
Se sou forte, eu não sei,
e se existe essa tal força,
já nem sei se é virtude,
pois nas minhas andanças,
sempre fiz o que pude,
preservar minha essência
para não me perder no final...
Se sou forte, eu não sei,
mas vou entregar meu coração,
a essa luz que afaga minha alma,
a essa paixão que me embriaga, acalma,
a essa poesia que me inspira os dias,
e que a boca um dia desses eu beijei.