Lei de Direitos Autorais (Direitos de Autor e Direitos Conexos)

Essas obras literárias são protegidas pela lei número 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998.http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%209.610-1998?OpenDocument

sexta-feira, 15 de maio de 2026

A ponte

 A ponte

Heleno de Paula

Diante das incertezas que brumam os caminhos
Olhares turvos se curvam ao vazio, 
e os passos, outrora firmes,
cessam em silêncio, pesado e tardio

Os destinos que não se revelam, 
os rumos que a mente não crê, 
corações ancorados em receio, 
hesitam em seguir ou ceder

Ali, entre o medo e o avanço, 
ergue-se algo firme logo à frente, 
mas as dúvidas, véus espessos, 
distorcem o que é evidente

Uma ponte estabelecida sobre o caos, 
acima das águas que rugem sem calma, 
promessa de travessia e mudança, 
convite sutil à própria alma

Pensamentos nublados, estagnados,
não reconhecem sua intenção,
veem barreira onde há passagem, 
veem risco onde há solução

E assim, permanecem inertes, 
reféns do que não podem ver, 
pois nem toda travessia é clara 
quando o medo decide vencer

Mas a ponte continua erguida, 
paciente, à espera de luz,
pois basta um instante de clareza 
para enxergar que Deus é quem conduz.

Flores em vida

 Flores em Vida

Heleno de Paula


Há muitos e muitos anos, 
antes mesmo do tempo te trazer, 
teu dindo já guardava no peito 
a bênção de a ti pertencer

Como quem sente, em silêncio, 
os planos que Deus escreveu, 
uma aliança fraterna nascia: 
Cumplicidade entre teus pais e eu

E quando a vida revelou tua vinda, 
trazendo luz a nossa história, 
um laço entre nós fez-se destino,
como até hoje é (e)terna a memória

Mas houve um instante sagrado, 
um sopro de graça, divino calor… 
Teu nome ao mundo foi anunciado, 
meu peito em festa, transbordou em amor

Foram lágrimas puras, sinceras, 
de quem jamais antes sentiu 
o milagre de ser homenageado 
enquanto ainda aqui existiu

Ah… flores em vida recebi, 
no mais belo dom que há: 
Ser acolhido como teu dindo aqui,
ser parte do teu caminhar

Helena, minha doce afilhada, 
que a luz de Deus te guie sempre assim,
que o Espírito Santo conduza teus sonhos 
com dons que não tenham fim

E que saibas, por toda a jornada, 
em cada passo, em cada dia,
teu dindo estará ao teu lado… 
por amor, por fé, por alegria

E quando meus olhos não te veem,
minhas orações te alcançam:
Deus, Pai, cuida dela de pertinho,
mesmo quando eu estiver a distância!



 

sábado, 18 de abril de 2026

De:

 De:

Heleno de Paula 


Despir

Despor

Desfrutar

Dividir


Discernir 

Desamar

Dissabor

Diluir


Desistir

Desabar

Decompor

Deprimir 


Debulhar

Definhar

Destoar

Decair


Dissonar 

Delinhar

Desvairar

Desiludir


De: Amor

Para: quem há,

no destino,

prosseguir.

Psicopoesia

 Psicopoesia 

Heleno de Paula


Presente inanimado

Desenlace umbilical 

Intrínseco, ego

Exaustão emocional 


Introspecto momento 

Reconhecer-se é fundamental

Retrospecto espelhamento

Prisão em espiral


Vaga em vida, vida vaga

Descontruir-se é vital

Corpo sem alma, destituir-se

Alma sem corpo, evoluir-se


Racionalizar, afeto, dores, acolhimento...

Restituir-se no ágape amor, paz divinal.






quarta-feira, 18 de março de 2026

Entre o silêncio e o copo


Entre o silêncio e o copo

Heleno de Paula


Se nos faltam palavras

Um silêncio preenche

Se nos falta o toque

Uma dor contundente

O vazio se instaura

A distância se estende

O que não se repara?

O que não compreende?

A natureza nos fala

Água e luz pra semente...

E o que não semeara,

Foi por ser negligente

A incerteza nos cala

Sem amparo, se rende

O que os olhos não veem...

coração se arrepende

Mais um sonho se acaba

Sofremos nitidamente

Mais um samba que nasce

Poesia eloquente

O cigarro se apaga...

Garçom, uma dose, urgente!











segunda-feira, 2 de março de 2026

Solidão

Solidão

Heleno de Paula


Fecho os olhos

Regresso ao ventre

Ignoro o entorno

Silêncio perene


Vívido

Engodo

Solitário

Pungente


Desperto

Renasço

Sob a luz

Indulgente


Entre o corpo e a alma

O divino presente

Entre a cruz e a espada

O meu pó indigente


domingo, 18 de janeiro de 2026

Poesia da relatividade

 

Poesia da relatividade

Heleno de Paula



Não domamos o tempo

Preenchemos espaços

Relativos momentos

Cada qual num compasso


Se tem dor, sofrimento

Tudo em paz, nosso abraço

Ser, viver, sentimento

O estar, lado a lado


O destino a contento

Nos uniu feito laço

O amor advento

Absoluto abstrato


Esse meu pensamento

Fundamentei em teu lastro

Alma, luz, espaço-tempo...

Corpo eternizado.















quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Re(pouso)

 Re(pouso)

Heleno de Paula


Assim como nossas mãos se enlaçam,

que descansem nossas almas lado a lado,

despojadas de todo passado.

Mas não te adormeças,

mira meus olhos e te vejas,

repare que não estás aprisionada,

pois não sou eu o passarinheiro.


Vim de encontro ao teu canto, 

apenas para contemplar-te,

admirar tua vivacidade.

Não te esqueças,

alça teus voos, postos a salvo,

pois não serei eu a rapina sorrateira.


No silvar dos ventos, tu encontrarás a minha voz, mas não terão a intenção de desviar-te o caminho.

Ao buscar o horizonte, em meio a revoada de sonhos, ali eu estarei.

Não te aflijas, migrar é ensinamento.

Que no porvir, possa-me confiar o teu pouso, assim como nossas mãos se enlaçam, e descansam nossos corpos lado a lado.






Colorindo a vida

 Colorindo a vida

Heleno de Paula



A saudade está doendo

Mesmo assim eu vou seguindo

Deus do Céu, sei que está vendo

Atendei o meu pedido

O amor é feito reza

Um anjo sussurrou no meu ouvido:

A tristeza se atravessa

Tenha fé no seu destino


Todo pranto, em todo canto

Toda flor com seu espinho

Traiçoeiro rio manso

Tempestade, mar bravio

Tudo cura, o tempo passa

Sua luz no meu caminho

A certeza de um milagre

Sei que não estou sozinho


Passo a passo, lado a lado

De mãos dadas prosseguindo

Aliança, um forte laço

Sob a proteção do Divino

Alma abraça, em nosso amparo

Com a pureza, Deus menino

Meus filhos, Estou cuidando

Suas vidas colorindo.



segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Nossa morada

 Nossa morada

Heleno de Paula


Deixe a lágrima cair

Deixe o peito respirar

A tristeza pode vir

Mas não vai poder ficar

Pois quem manda é o coração

É nele só tem um lugar

Pra morar na emoção

Só o amor pode entrar


Assim você mudou

Agora vive em mim

E se eu vivo em você

Estamos juntos sim

Só resta agradecer

Ao Pai, som de clarins

A paz fortalecer, e caminhar...

De mãos dadas até o fim.













domingo, 7 de abril de 2024

Tempo

 

Tempo

Heleno de Paula


Tendo um tempo de tristeza

Dou-me um tempo a calmaria

Vento sopra, o tempo leva

Tempo, tempo, noite, dia...


Sou do fim o tempo avesso

Meu regresso o tempo guia

Templo, luz, tempo, apreço

Recomeço, tempo, vida...


Na saudade, tempo espesso

No amor, tem poesia

No mau tempo a gente reza

E o bom tempo principia


Na canção o tempo em verso

Tempo, tom, tem melodia

Se tem um tempo que eu prezo

Tempo é o de parceria


O destino, tempo expresso

Tempo traz sabedoria

Tempo infindo, a Deus peço!

Rege o tempo e me vigia!






domingo, 15 de agosto de 2021

Conversa com o espelho

 Conversa com o espelho

 Heleno de Paula


Sabe quantas vezes errei?

Sabe quantas eu percebi?

Sabe quantas vezes eu caí?

Sabe como eu levantei?


Sabe o que me faz seguir?

Sabe por onde andei?

Sabe quem esteve aqui?

Sabe quem eu deixei?


Sabe o quanto eu vivi?

Sabe o que eu não sei?

Sabe o que agradeci?

Sabe para quem rezei?


Sabe o tempo de partir?

Sabe o quanto eu já chorei?

Sabe o que realmente é o sentir?

Sabe quem eu amei?


Sabe que envelheci?

Sabe como até aqui cheguei?

Sabe só refletir?

Será que eu saberei?


domingo, 11 de abril de 2021

Bastar-me

 Bastar-me

Heleno de Paula


Onde eu me basto, ainda não sei

Um dia descanso meus passos

Um dia...

Quem sabe?!?

Talvez!

E se não houver alguém lado a lado,

perdoe-me,

não diga que eu falhei

Pisar nas pedras em falso,

é sempre preciso,

são marcas, ao menos tentei

Caminhos distintos, não são despedidas,

não são desvarios...

Às vezes, por mais que as mãos estejam dadas,

é como se estivesse andando sozinho

Hoje, olhando o amanhã, sonhei

E vi, como foi importante seguir...

E assim me permitir, ser como eu sou

Essencial é buscar em si, 

o própio amor.


Quando eu me basto?!?

Um dia...

Quem sabe?!?

Talvez!












segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Singular

 Singular

Heleno de Paula


Salvo o verso,

mas por favor,

salve a tua palavra

O verso eu ressignifico

A tua palavra, ah, a tua palavra!

Ela cura, ela é singular

Ela carrega consigo a tua essência

Como quem traz na sonoridade uma magia

Reverbera na alma

O amor declamado por tua boca,

em tempo algum será incompreendido

O amor presente em versos,

apesar de pemear o mundo, tem o toque 

estéril

Salve a tua palavra!

Boca santa!

Palavra dita!

Os versos, ah, os versos!

Jamais saberão o que dizem,

se no porvir não desnudarem o corpo sobre o teu

Por ora, sem a tua presença,

moro no silêncio,

ávido por tua palavra sussurrada,

regente das inspirações nos sonhos meus.









 



terça-feira, 8 de setembro de 2020

Não sei

 Não sei

Heleno de Paula


Se sou forte, eu não sei,

mas suportar tua ausência,

é chamado esperança

É viver das lembranças, 

que nem o tempo pode apagar

É provar que o amor,

só resiste se houver confiança

É mudar de atitude,

se algo queira alcançar


Se sou forte, eu não sei,

mas vou seguindo daqui entre flores e espinhos

E bem mais, no destino e seus diferentes caminhos,

vou regando a saudade com todo pranto que eu já chorei


Se sou forte, eu não sei,

e se existe essa tal força,

já nem sei se é virtude,

pois nas minhas andanças, 

sempre fiz o que pude, 

preservar minha essência 

para não me perder no final...


Se sou forte, eu não sei,

mas vou entregar meu coração,

a essa luz que afaga minha alma, 

a essa paixão que me embriaga, acalma,

a essa poesia que me inspira os dias,

e que a boca um dia desses eu beijei.





















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